terça-feira, 22 de junho de 2010


Me sinto no meio de tudo

Voltando do passado
Mas eu acho que eu não disse todos os adeus.
As vezes penso
Que eles continuam procurando um erro,
Tento não deixar rastros.
Talvez isso leve mais tempo.
Aquele mesmo tempo que não passa.
Talvez eu tenha fechado todas as portas,
E eu sempre a chave certa.
Caminhando em meu sono,
Nunca voltar,
Tentar manter meu closet organizado,
Apenas continuar,
E ser uma boa menina.
Voltar...
É o meu único desejo.
Será que entenderia?
Sempre perseguem meus sonhos,
Não sei o que isso quer dizer
O conflito sem resposta,
Sempre junto de meus lençóis,
Sintos suas unhas em minhas pernas.
As portas estão abertas
Guardo todos as palavras em minha mente.
Será que entenderia?
Me sinto no meio de tudo.

Graciela de Paula


Que droga de maldição!

Ondas de decepções estão se acumulando
Momentos silenciosos em que me sinto gritando
Soube que você está vivendo sem mim
Me mata saber que você está feliz sem mim
Inocência foi perdida
Que droga de maldição!
Mas eu ainda espero que você esteja pensando em mim
Não desejo que você esteja aqui
Não tenho o direito.
Nunca voltando, mas estou esperando
Do tempo, eu sou sua prisioneira
Respirando fora de um completo desespero
Perdendo tudo que eu abandonei
Encharcada de infinitas desculpas,
Sofrer era uma simples parte de mim.
Agora você está longe dos olhos,
Por do sol se perde
Lembro dos céus cinzentos,
Desânimo de junho começa
Me deixa deslumbrada.
Nada muda,
Tudo o que fazemos é esperar,
Nossas cabeças penduradas
Balançando com desânimo
Pois todos estão com medo
Parece o fim dos dias
Mas é preciso muito mais
Pra alguém dizer
Que precisamos de outro modo
Mas se quiséssemos um
Nós faríamos o mesmo
O inverno está chegando
Nós ainda estamos encharcados de sol,
O verão de algum modo
Nos separa um a um
Lembro dos dias mais escuros,
Do que jamais foram.
Mas quem poderia dizer a eles
Que o verão nunca acaba
Nós provocamos nosso fim.
Palavras não mudam nada
O sol disfarça a escuridão,
Queria poder te salvar,
Queria poder parar isso.

Graciela de Paula


Deixada Esperando

Eu estou contando os segundos até o próximo dia,
Eu estou ficando sem motivos.
Pela sua decisão,
Ainda não entendo...
Eu estou tentando ser aquela que entende,
Eu não posso fingir que acho que você estava certo, você está errado
Ainda tento aceitar...
Agora estou deixada esperando,
Mesmo sabendo o último capítulo do livro,
O mesmo que não me canso de ler.
Eu cai anteriormente
Na tentativa de mudar tudo.
Em seus mundos essa noite
Em um espaço sem fim
Eu fecho meus olhos,
Eu nunca quis deixar seu lado
Eu nunca quis dizer adeus.
Eu escuto sua voz
Brincando através da minha cabeça
Eu penso em
Todas as palavras que você me disse
E eu não posso dizer,
Eu não posso ajudar me sentindo insegura.
E a frustação aumento a cada dia.
Mas o tempo me fez duvidar de você.
Eu olho nos seus olhos
Você sussurra meu nome,
Nunca deixe ir de mim,
Não me diga as horas
Eu sei que já é tarde,
Eu sinto sua mãos, você toca meu rosto,
Apenas continue me abraçando.


Graciela de Paula
É Fácil Ser Ruim

Eu precisei ver, apenas precisei ver
Se eu estaria arrependida
Como eu queria estar
Eu estou odiando ser a festa criminosa
A única de joelhos
Eu nunca quis ser
Mas eu não vou dizer nada.
Quem sabe? Eu sou bem-ensaiada,
Eu continuarei a vir primeito
É fácil ser ruim
E eu não vou dizer nada.
Você sabe que é fácil ver
Você sempre se pega nos piores cenários
Nunca sabe aonde ir
Como continuar na cidade?
Qualquer chance chega, você segue suas dúvidas
Até você descobrir.
E então você grita e você grita.
Eu deveria dar as costas nisso?
Está errado não confessar?
Não, eu não vou dizer nada.
É fácil ser ruim
Porque o que o não sabe, não machuca.
Quem sabe?
Eu sou bem-ensaiada,
E eu manterei apenas a vir primeiro.


Graciela de Paula


Quando o sol se por.

Quero caminhar quando o sol se por.
Usar meus olhos, minha mente,
sem ninguém me dizer o que tenho que fazer.
Vou amarrar meus sapatos, e me lembrar que meu closet ta uma bagunca.
Quero apenas caminhar, sem nenhum intençãp de destino.
Quero construir um mundo independente e fechado.
Seré um Império, sem impostos, sem regras e opiniões.
Não necessitarei mais viver em seu zoo. Pode ate tentar me seduzir com jaulas de paredes decoradas.
Sei que ancioso espera pela minha queda.
Eu sei que estara assistindo, sem saber que minhas atitudes são frutos de minha crianca acústica.
Me chamem de rainha do drama e da insanidade,
e podem rir de meus conflitos, que de longe parecem banais.
Quero caminhar quando o sol se por,
e não há nada que você possa fazer,
porque eu não tenho que gostar de você.
Então irei caminhar quando o sol se por.

Graciela de Paula

segunda-feira, 21 de junho de 2010



Eu tenho medo

Eu tenho medo
Das incertezas do dia seguinte.
De não ter sentido, nem razão.
De esperar, esperar, esperar...
Eu tenho medo
De não perder a esperança.
Eu tenho medo
De perder as palavras .
Ou de apenas guardá-las.
Eu tenho medo
Dos meus pensamento não te alcançarem,
E dos meus olhos, você esquecer.
Eu tenho medo
De não mais conseguir me esconder,
De sufocado e envolvido pela culpa
O amor ser varrido totalmente
E nossos sonhos serem todos banidos,
Eu tenho medo.
De minha alma permanecer
Em mais cem mil dias de espera.
De lágrimas continuarem contidas, inutilmente
De ainda sentir o frio e vazio no corpo.
E um dia entender...
Que o anoitecer esperado foi esquecido,
Que a porta aberta, nunca se abriu,
E em suas madrugadas eu nunca existi.


Graciela de Paula

sábado, 19 de junho de 2010






A última esperança de uma eternidade

Quando eu der meu ultimo suspiro,
Quero apenas fechar meus olhos...
E de olhos fechados poder ver tudo eu fui, tudo o que fiz.
E me amar . apenas me amar.
Não quero me lembrar de meus pais,
Não quero me lembrar de meus amigos,
Não quero me lembrar de nada.
Quero apenas fechar meus olhos.
Sentir o ultimo pulsar de minhas veias,
e ainda ter um brilho no olhos,
Apenas no som de um respirar
deslumbrar num simples passo,
num simples conjunto de passos,
que formam o caminhar.
Num toque,
Num gesto,
Num movimento...
Num batimento ritmado,
De um coração que insiste em sua existência.
De um coração que bateu sem chamar atenção.
E também não se faz atentar
Mas quando esse se for,
Tudo ficara inanimado.
Pronto.
Não há mais o que se vislumbrar.
O brilho se vai,
A alegria, o amor, a esperança...
Ficam apenas memórias...
Ficam apenas lembranças...
Entre a vida e a morte...


Graciela de Paula

terça-feira, 9 de março de 2010


Segredos debaixo de um guarda-chuva

Chovia muito, uma chuva tão selvagem que dava a sensação de que o mundo terminaria ali! Eles tinham um guarda-chuva a separá-los! Já há tempos queriam gritar, mas o medo de cair tinha sido maior à vontade de voar… Mas ali, naquela chuva que parecia que ia acabar com tudo, e com todos, nada mais teriam a perder. Ele, encheu os pulmões de ar e o coração de esperança e ofereceu-lhe abrigo de metal e pano. Ela, com as faces rosadas aceitou o pedido e esqueceu o vendaval. Ela saiu de seu refúgio para poder ali, se a coragem a permitisse, gritar. Ele deixou-se guiar sem pensar onde ficaria o destino. Deram as mãos, com o medo, e saíram pelas duas bocas o que os dois corações com um só sentido. Aí, já nada importava. Sentaram-se num bar, onde eles costumavam pensar um no outro e esperaram pelo fim… até que a tempestade passou! Baixado o guarda chuva, ela disse: “Tu és assim… perto de mim acabas com todas as tempestades que teimam em destroçar a alegria dos meus dias”…




Graciela de Paula


Quanto tempo mais?

Eu não consigo encontrar uma razão para nada...
para os meus sonhos...
e eu posso econtrar uma razão para agüentar,
O que deu errado sempre pode ser perdoar
Não vale a pena viver sozinha.

Às vezes eu acordo chorando à noite
e às vezes grito seu nome.
que direito eles tem de te levar tudo embora?
Eles se foram por tanto tempo.
Não, eles não voltarão.

Peguei todas as fotografias do nosso casamento
foi uma época de amor e riso.
Felizes para sempre...
Nossos recortes de jornal...
Poderiam ter se tornado reais.

Vejo velhas fotos que começaram a desbotar.
Por favor, diga-me que eram reais.

Às vezes eu acordo chorando à noite
e às vezes grito seu nome
que direito eles tem de roubarem meu coração,
Estive eu fora por tanto tempo?

Eu posso lhe dar duas boas razões
para lhe mostrar que meu sentimento não é cego
Ela tem 7 anos,
e ela confiava tanto.....
Então, como eu posso dizer para eles que eu mudei de idéia?

Às vezes eu acordo chorando à noite
e às vezes grito seu nome
que direito eles tem de duvidar de minhas idéias?
Quanto tempo mais?



Graciela de Paula.

sexta-feira, 5 de março de 2010




Mulher Vestida De Preto

Caminhando sozinho essa manhã
A névoa pairava no ar
As nuvens negras riam de mim
Fazendo sombras em meu cabelo

Avistei uma mulher ao longe
Vestida de preto e com olhos acinzentados.
Ela vestia sua dor como uma alma acorrentada.
Sua pena era a vida eterna.

A Mulher vestida de preto
É a marca da vida dos prisioneiros.
A mulher vestida de preto
Eu vejo o tempo nas lágrimas dela.
A mulher vestida de preto
O amor dela pode me libertar.

A brisa me avisou para ter cuidado.
Cuidado com a mulher silenciosa
E com a tristeza que viveríamos.

Sentamos juntos em silêncio
Não trocamos uma palavra
Seus olhos transmitiam seus pensamentos.
E eu ouvi..me lembro de tudo que ouvi.

A Mulher vestida de preto
É a marca da vida nas cicatrizes.
A mulher vestida de preto
Eu vejo o tempo nas lágrimas dela.
A mulher vestida de preto
O amor dela pode me libertar.

Ela falou de tempos passados,
E do conhecimento adquirido.
Memórias que eu tinha e não sabia.
Ela ainda guarda todas as memórias que doem.
Ela me mostrou com um sorriso.
Eu deveria ter dado atenção ao aviso da brisa.
E desviado dela.
Toquei sua alma e agora pago o preço.
Mas por seu amor, pago sorrindo.
Aquele que ela não tem.

Graciela de Paula
A Mulher vestida de preto
É a marca da vida dos prisioneiros.
A mulher vestida de preto
Eu vejo o tempo nas lágrimas dela.
A mulher vestida de preto
O amor dela pode me libertar.




Graciela de Paula

segunda-feira, 1 de março de 2010



London


Às vezes me esqueço de quanto tempo se passou.
Parecia que o nosso tempo iria durar para sempre
Realmente acreditei que seria rápido,
Pensei que nunca iria.
Estranho como sempre estou tentando me lembrar de algo...
Tudo agora, é apenas uma memória,
Como todas as anteriores.
Mas com sua dor eu tive que sofrer
Tantos olhos com chamas acesas,
como imagens de queimaduras.
Eu ouço os gritos de tempos que se foram.
Eles choram ao se lembrar,
As luzes das ruas espalharam nossos caminhos.


London...
As memórias nunca me deixaram.


Os gritos na noite
continuam trazendo-me a
London.


Chamando-me.
Às vezes eu desejo que eu pudesse ter tido o seu Lugar,
Você sabe que eu não quero viver para sempre.
Deixe-me ver-te de pé, nas sombras,
ao menos mais uma vez.
Vamos andar pelas ruas,
nos embriagar de cafeina, sentir frio no corpo,
aquele frio que esquentava a alma.


O fogo dos olhos continua trazendo-me a
London.


Graciela de Paula







Acenda as luzes


O dia está frio.
Surgem as dores de cabeça, e minha mente se quebra.
Sinto meu corpo já sem alma.
Em uma outra sala posso escutar,
eles estão rindo.
Todos parecem estar felizes.
Desista.
Eu disse que é muito cedo para sorrir.
Sabe que eu não fico assim por um tempo...
Apenas nao acho graça de nada.
Não estou mais rindo.
Eu não posso ser quem você queria que eu fosse.
E nao consigo ver quem você queria que eu visse.
O meu closet ainda esta uma bagunça.


Flashbacks do passado…
Eu só teria que esquecer, para que se tornarem eternos.
Acenda as luzes,
ainda estou esperando,
acho que sempre estarei...
Nada parece estar mudando,
livros estão por toda a parte.
Todo sinal de vida parecem gravados.
Sem mais nenhum traço,
eu não posso esconder,
que não estou mais rindo.
Eu não posso ser quem você queria que eu fosse
E o meu closet continua uma bagunça.



Graciela de Paula







terça-feira, 23 de fevereiro de 2010


Para sua garganta

Completamente sozinha agora,
Exceto pelas lembranças
Do que tive e do que sabia.
Toda vez que tento deixar isso pra trás
Eu vejo algo que me faz lembrar de você
Toda noite os sonhos voltam pra me assombrar
Seu rosto com uma palavra amarrada ao redor de sua garganta
Deito acordada e suando, com medo de dormir.
E vejo seu rosto olhando de volta para mim


E ergo minha cabeça e encaro
os olhos de um estranho.

Eu sempre soube que o espelho nunca mente.
As pessoas sempre desviam
dos olhos de um estranho
com medo de saber o que
se esconde atrás do olhar

Isso é tudo o que restou


Graciela de Paula


Quando o sol se por.


Quero caminhar quando o sol se pôr.
Usar meus olhos, minha mente,
sem ninguém me dizer o que tenho que fazer.
Vou amarrar meus sapatos, e me lembrar que meu closet ta uma bagunça.
Quero apenas caminhar, sem nenhuma intenção de destino.
Quero construir um mundo independente e fechado.
Será um Império, sem impostos, sem regras e opiniões.
Não necessitarei mais viver em seu zoo, pode ate tentar me seduzir com jaulas de paredes decoradas.
Sei que ansioso espera pela minha queda.
Eu sei que vai estar assistindo, sem saber que minhas atitudes são fruto da minha criança acústica.
Chamem-me de rainha do drama e da insanidade,
E podem rir de meus conflitos, que de longe são banais.
Quero caminhar quando o sol se pôr,
e não ha nada que você possa fazer,
porque eu não tenho que gostar de você.
Então irei caminhar quando o sol se pôr.


Graciela de Paula

sábado, 16 de janeiro de 2010



O meu sol e a lua ate o amanhecer,
desse brilho eu meu esconder entardecer...
O sol e quente, brilha forte e irradia o dia,
mas a lua e que sempre me traz companhia.
Andando num caminho escolheu ,
e la na frente que descobre que se arrependeu.
Se e la na lua que Sao Jorge matou o dragao,
feche seus olhos e veja o sol na escuridao.

E quando o sol surgir e tiver que acordar,
la na sua casa, no seu trampo a hora nao passar,
leia um livro, escute um sonho e va se preparar,
a paz de volta, la de noite a lua te trara.

Se mais um passo que tu der voce desaminar,
pegue carona  num foguete e mude pra la.
Minha mae dizia, e agora eu digo pra voces:
Esqueca o sol e viva uma noite de cada vez.


Graciela de Paula.


Eu sei que você fez isso, por que o fez?







Acordei com o impacto
Procurando por todos os lados
A mente criminosa
Encontrada na cena do crime
Eu não fiz isso.
Acho que eu nunca soube
Mas nós alguma vez realmente sabemos?
Ele disse que me encontraria do outro lado
Mas eu logo soube, eu nunca o encontraria


Amor?
Nunca compensa a dor que você sente


Chega de pesadelos, já vi todos eles
Desde o dia que nasci
Eles me assombram todos os movimentos
Toda mão aberta está lá para empurrar
Isso já não me importa
Ele fazia diferença
Acho que tinha uma maneira
Da noite parecer clara como o dia
Agora eu ando em sombras, nunca vejo a luz
Ele deve ter mentido
Pois nunca disse adeus
Vou apenas fingir que nunca foi real
Preciso esquecer o rosto, que ainda vejo


Amor?
Nunca compensa a dor que você sente


Sem chance de contato
Não há razão de ser
Minha única esperança é que um dia esquecerei
A dor de conhecer o que nunca poderá ser
Com ou sem amor é tudo igual pra mim


Amor?
Nunca compensa a dor que você sente

Graciela de Paula.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Deliquente

Deliquente


O tempo passa...
Passa...
Nao sinto nada.
O tempo passa...
Passos largos...
Nao sinto nada.
O tempo passa...
Inspiracao presente.
Na alma?
Nao sinto nada.
O tempo passa...
Os pes no chao...
No mesmo lugar...
Nao sinto nada.
O tempo passa...
Solidao presente,
Que aumente na multidao.
Nao sinto nada.
O tempo passa...
Ah, o tempo passa...
Pacinte e doente,
tentativas em vao...
Mas o tempo aqui nao passa...
Dormente, o tempo deliquente,
que tornam as veias ferventes.
O tempo passa...
Necessidade de mais tempo,
mais lento,
Ah Deus como eu tento...
Mas o tempo passa...
passa, passa, passa...
Ainda, nao sinto nada.

Graciela de Paula.

Amor = Braile na TV


Amor = Braile na TV

O amor e estranho...
voce ainda surpreende.
E toda vez que eu tento evitar a dor,
volta e assombra.
O amor e ilusao que te corta e doi.
Nao se entende e como ver braile na tv.
Apenas me prometa que nao vai se quebrar.
A maldade da vida,
o tempo, com o tempo traz.
E quando o nada se torna o motivo da depressao.
Queima a pele que tenta citrizar os cortes.
O momento certo de perceber a pureza que te remete.
Apenas me prometa que nao vai se quebrar.
Nao se esconda,
nao fuja, so nao pare de correr...
corra do barulho do som.
Nao pare de te procurar,
Nao pare de se descobrir.
A cada noite que dorme, o caminho fica mais curto...
Prazer em reve-lo.
Posso fazer um pedido?
Apenas me prometa que nao vai se quebrar.


Graciela de Paula.

Embaixo do meu travesseiro....


Embaixo do meu travesseiro

Eu estive dormindo por mil anos...
Todos os sonhos que tive, eu guardei embaixo do meu travesseiro.
Todas minhas memorias
Todas minhas historias,
Toda a minha vida.
Era eu real?
Voce me viu em algum momento?
Estava eu la?
Eu vi voce em meus sonhos,
em um lago de agua escura.
Voce parecia triste.
Por que ninguem me acordou quando eu gritava em meus pesadelos?
Tudo parece fora de lugar.
Eu vi voce em meus sonhos,
tudo parecia estar no lugar exato.
Voce lembra de mim la?
Sonhava com cinzeiros sujos, e com garrafas vazias...
A festa acabara.
Talvez esse seja o motivo pelo qual voce foi embora.
Por que voce nao me disse?
Eu vi voce em meus sonhos,
a agua estava limpa,
voce parecia feliz.
Nao consigo te ver mais...
Talvez porque estou acordada,
Ou talvez porque a agua agora esta suja.
Estava mesmo eu la?
Era eu realmente real?
Eu vi voce em meus sonhos...

Graciela de Paula.

O ovo












O ovo


Lembro-me de quando arrancaram-me de minha mȃe.
Nem um grito foi solto.
Silȇncio.
No seqüestro mal planejado,
vi sangue derramado,

quebrados, meus irmãos, perdidos ficaram...
Já não se tornariam homens.
Agora só resta eu.
Longa viagem...
No escuro.
Sempre no silȇncio...
Penso, penso, penso...
Como estará minha mãe?
Surge uma luz.
Lugar apertado, todos enfileirados,
mas agora bem tratados.
Vejo outros como eu...
Banho e casa nova,
Parecem felizes e até maquiados!
Mais uma viagem.
Ja estou acostumando.
Talvez serei artista!
Um artista aclamado, um talento descoberto,
que nem eu mesmo sabia,
por isso fui selecionado!
...Como estará minha mãe?
Chegamos.
Um lugar estranho, cheio de gente,
todos olham, apreciam,
como se procurassem algo.
As vezes até me tocam...
Nos levaram.
Mais uma viagem.
Chegamos.
Lugar limpo e até com cheiro.
Alguém se aproxima,
olha para mim,
para meus companheiros,
volta para mim e me pega.
Fui escolhido!
Finalmente meu show terá início!
Posso ver o palco,
Ė grande, é redondo...
Tem até iluminaҫȃo!
Quanto emoҫȃo, da vontade de chorar...
Sinto a pancada.
Vejo meu sangue.
Será que estão aplaudindo?
Não.
O calor.
O calor que queima e provoca dor.
Meus irmãos,
sangue derramado, perdidos ficaram.
Eu, queimado.
Perco os sentidos...
Como estará minha mãe?



Graciela de Paula.